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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Como ouro inédito do Brasil nos Jogos de Inverno virou lição estratégica para negócios

 


* * * Extraído do Portal G1 * * *

Resultado histórico amplia representatividade da América Latina e impulsiona retorno simbólico para patrocinadora, segundo especialistas.

Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

16/02/2026 04h01  Atualizado há um dia

 

Pela primeira vez em mais de um século de participação, o hino nacional brasileiro tocou nos Jogos Olímpicos de Inverno. Lucas Pinheiro Braathen entrou para a história ao conquistar a medalha de ouro no slalom gigante e garantir o primeiro título do país na competição.

O feito inédito não projetou apenas o atleta — também colocou sob os holofotes quem estava por trás de toda a delegação brasileira.

A Moncler assinou os uniformes de todos os atletas do Brasil nos Jogos. E, ao ver o macacão azul-marinho com detalhes em verde e amarelo no topo do pódio, transformou uma estratégia pouco óbvia em vitrine global.

Sede das Olimpíadas de Inverno em 2026, a Itália é sinônimo de luxo, berço de casas como Prada e Dolce & Gabbana. Nesse cruzamento entre esporte e indústria moda, as marcas costumam concentrar investimentos nas equipes consagradas, onde as chances de medalha são maiores.

Foi justamente desse roteiro previsível que a Moncler decidiu se afastar. Em vez de disputar espaço em delegações já consolidadas, a grife apostou no Brasil, um país sem tradição no quadro de medalhas de inverno e em um atleta de trajetória singular.

Braathen, nascido na Noruega e filho de mãe brasileira, era uma das principais promessas do esqui quando anunciou uma aposentadoria, em 2023, após conflitos com a federação norueguesa envolvendo restrições a contratos de patrocínio.

Um ano depois, ele voltou ao circuito defendendo o Brasil, país onde passou parte da infância e com o qual mantém forte identificação cultural.

A estratégia não se limitou ao patrocínio individual. Por meio da linha Grenoble, linha de alta performance, a Moncler associou sua identidade técnica ao atleta e, ao mesmo tempo, vestiu toda a equipe brasileira.

Os uniformes incorporam referências sutis à bandeira nacional, integradas a um design pensado tanto para performance quanto para identidade.

 

"Havia uma oportunidade de primeiro ter um atleta vencedor e isso impacta as notícias, não só do Brasil, mas as notícias da Europa", ressalta Marcos Henrique Bedendo, especialista em branding.

E não é só isso. Mais do que o primeiro ouro brasileiro, a medalha representa um ponto fora da curva na geografia dos Jogos de Inverno: é a primeira da América Latina e apenas a terceira de todo o Hemisfério Sul.

Em um evento historicamente concentrado no eixo Europa–América do Norte, o resultado desloca simbolicamente o mapa do gelo e amplia o alcance de cada imagem transmitida.

Assim, a exposição não se deu apenas pela vitória em si, mas pelo que ela simboliza. O pódio de Braathen passou a carregar um componente de ruptura e representatividade que naturalmente atrai atenção internacional — da imprensa, do mercado e das marcas.

Para Victor Dellorto, especialista em marketing e CEO da Deskfy, o alcance global da vitória potencializa o retorno.

“Hoje, as marcas não disputam apenas medalhas, mas significado”, diz Dellorto. “Narrativas autênticas geram vínculo, diferenciação e memória de marca.”

Segundo ele, o diferencial está na combinação entre autenticidade e performance. "A história de Lucas é, por si só, um ativo estratégico. Ele combina performance real com uma narrativa cultural potente, algo que marcas de luxo buscam cada vez mais", afirma.

Bedendo também observa que a decisão da Moncler também pode ter sido estratégica do ponto de vista financeiro.

'Patrocinar seleções tradicionais é caro e disputado. Ao apostar no Brasil, a marca pode ter conquistado exposição global e o direito de assinar um uniforme olímpico com investimento menor", diz.

O risco existia. Sem pódio, a estratégia dependeria basicamente da força da narrativa multicultural de Braathen e da conexão com o mercado brasileiro — relevante, amplo e com apetite crescente por consumo premium. Com o ouro, porém, o retorno deixa de ser potencial e se torna histórico.

Em um cenário em que muitas marcas disputam os mesmos territórios e as mesmas potências esportivas, a Moncler escolheu um caminho menos óbvio.

E, ao vestir todos os atletas brasileiros justamente no momento em que o país conquista seu primeiro ouro olímpico de inverno, transformou diferenciação em protagonismo.

Tags: Esporte, G1,  Lucas Pinheiro Braathen, Olimpiadas

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Ele é 10, Pelé é 80


 

Mauro Beting

Yahoo Esportes 23 de out. de 2020 09:42

 * * * EXTRAÍDO DO PORTAL YAHOO * * *

 Ele é Pelé há 64 anos, quando chegou ao Santos - o clube de Pelé.

Há 63 anos Ele vestiu a amarelinha pela primeira vez - a seleção de Pelé.

Há 62 anos Ele conquistou o mundo pela primeira das três vezes - o mundo de Pelé.

Errei: do planeta que não é de Pele por Ele ser de outra galáxia. Com o devido respeito a Três Corações, o Pelé dos 1000 gols é ET.

Todo mundo tem história com Ele. Também por ninguém saber tabelar com a gente como Ele. Ninguém atende tão bem as pessoas que não conhece quanto Edson conhecido por todas elas. Todas ganham atenção e autógrafo, selfie e sorriso. Até nisso Pelé é Pelé.

Eu adoraria dizer que não esqueço o único gol que vi Dele no estádio, no Morumbi, no empate com o meu Palmeiras, em 1973. Mas eu não vi. Meu pai tanto falou Dele que eu morri de medo e toda vez que a bola passava pelo meio-campo eu fechava os olhos para não ver Pelé pelezar.

Por isso não O vi marcando o gol naquele domingo. Um clássico numa tarde de sol: gol de Pelé.

Como o daquele dia de Maracanã contra o Fluminense, em 1961. Quando Ele driblou o Tricolor inteiro para marcar mais um golaço. O que inspirou o editor Walter Lacerda e o jornalista Joelmir Beting a criarem uma placa em homenagem à obra-Pelé.

Uma placa que em 1999 o próprio Pelé deu ao meu pai. Em retribuição do autor do Gol de Placa ao autor da placa do gol.

O maior prêmio que minha família recebeu.

Mas eu ainda ganharia outro, por ser curador da exposição das Copas do Rei do Museu Pelé. Onde uma vez levei meu filho para um evento que apresentei com o Rei. Ele perguntou o nome do meu caçula e disse em seguida: "Gabriel, você tira uma selfie comigo"?

Isto é Pelé. Ou melhor. É o Edson que sabe o tamanho universal do Pelé. Um Beatle que lançou o último disco em 1977. Um Fellini que dirigiu o último filme em 1977. Um Michelangelo que pintou a última capela em 1977. Um Leonardo da Vinci que criou a última obra em 1977.

O Pelé do futebol é o Pelé.

Não é 8 ou 80. É 10. É 80. É mais de mil gols. É tri.

É do Pelé.

Perdão por falar de coisas pessoais. Mas com Ele é assim. Ele nos faz mais pessoal. Ele nos faz acreditar mais nas pessoas. Saber separar o que o Édson erra como humano e o que Pelé acertou como ser além disso e de tudo.

Tão Pelé que até quando errou o gol do meio-campo em 1970, quando cabeceou a bola que Banks fez uma defesa de Pelé no México, e quando não fez o golaço no drible da vaca no goleiro uruguaio, Pelé foi mais que todos.

Até não fazer gol é mais genial com Pelé. É mais Pelé que genial.

Pele é Rei na democracia mundial do futebol. Mas é rei de real, não da nobreza, por fazer reais os lances irreais. É rei não por não perder a majestade. É rei por fazer simples as coisas complexas. É real a sua obra por levar o Brasil ao mundo e nos trazer três vezes o mundo pra casa.

Pelé não perde a majestade por ser simples. Por ser Pelé em cada trato mais do que pessoal. Por não levar o trono no bolso como levou rivais na bola.

Pelé faz 80 assim celebrado por ser 10 em tudo lá dentro. O cidadão do mundo de outro planeta faz tudo ficar maior do que é.

Ele nos deu o sonho real. Ele nos deu o mundo.

A gente de tanto falar Dele acha que pode chegar perto.

Afinal, quem um dia não sonhou ser Pelé?

Eu não. Porque nem Pelé em sonho supera o Rei real.

Edson Arantes do Nascimento. Você tem o nome do gênio que inventou a lâmpada. Como o Thomas, Edson não é o gênio da lâmpada. Mas ilumina com o mesmo mantra do inventor de quase tudo: o gênio consiste em um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração.

É você, rei. Parabéns, terráqueos.

Obrigado, Pelé. O moço de Três Corações.

Ou quatro.

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Tags: Atualidades, Brasil, Esporte, Futebol, Mundo, Notícias, Pelé, Rei, Yahoo

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que se sabe e o que não está confirmado sobre a tragédia da Chapecoense



Do UOL, em São Paulo
29/11/201615h51

* * * Extraído do Portal UOL * * *
O avião que transportava a delegação da Chapecoense a Medellín, na Colômbia, para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, caiu na madrugada desta terça-feira (29), quando se aproximava do aeroporto José María Córdova. Veja o que já se sabe e o que não está confirmado a respeito da tragédia.
Sobreviventes
Segundo a Aviação Civil colombiana, 75 pessoas morreram. Seis sobreviveram à queda do avião: os jogadores Follmann, Neto e Alan Ruschel, o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Ximena Suárez e Erwin Tumiri.
Entre os sobreviventes confirmados, o lateral Alan Ruschel está em estado grave, mas estável. Ele sofreu uma fratura em uma vértebra da coluna, passou por cirurgia e corre o risco de ficar paraplégico.
Já o goleiro Follmann também foi operado e teve uma perna amputada, segundo informou Gelson Gadanha Costa, conselheiro da Chapecoense, em entrevista coletiva na Arena Condá.
O zagueiro Neto foi o último a ser resgatado com vida do local do acidente e também chegou em estado grave ao hospital, com traumatismo craniano e fraturas expostas. Ele passa por cirurgia.
Sobre o goleiro Danilo, ainda não há uma confirmação oficial. A Cruz Vermelha divulgou uma lista com o nome do atleta entre os sobreviventes, mas segundo o jornal El Colombiano, o atleta não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital.
O processo de identificação de todos os corpos das vítimas deve tomar três dias.
Causas do acidente
As investigações sobre os motivos da queda do avião ainda estão em estágio inicial. As principais hipóteses são que a aeronave tenha ficado sem combustível ou que tenha sofrido problemas elétricos.
Segundo Alfredo Bocanegra, diretor da Aviação Civil colombiana, o registro da comunicação do avião com funcionários de aviação da Bolívia sugere a falha elétrica. Porém, segundo o depoimento de Ximena Suárez, uma das tripulantes sobreviventes, a falta de combustível teria sido o problema.
O ministério dos Transportes da Colômbia informou que as caixas-pretas do avião foram encontradas, o que deve ajudar no esclarecimento das causas do acidente.
A empresa aérea que transportava a delegação é a Lamia, da Bolívia. Segundo a Aviação Civil boliviana, a aeronave foi inspecionada no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, antes do embarque da Chapecoense, e não apresentou problemas.
Consequências esportivas
A Conmebol cancelou a decisão da Copa Sul-Americana, e o presidente da entidade, Alejandro Domínguez, embarcou para Medellín. A diretoria do Atlético Nacional solicitou à Conmebol que a Chapecoense seja declarada campeã do torneio, e a torcida do clube colombiano fará uma homenagem ao time brasileiro no estádio Atanasio Girardot, nesta quarta-feira (30), no horário em que o jogo de ida da final seria realizado.
Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos já anunciaram, por meio de nota oficial conjunta, que vão emprestar gratuitamente jogadores para a Chapecoense no ano que vem. Também há uma mobilização para que o clube catarinense não seja rebaixado nas próximas três edições do Campeonato Brasileiro, independentemente de sua posição na tabela.

Tags: Brasil, Chapecoense, Esporte, Futebol, Luto, UOL