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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Agência autoriza Sabesp a ampliar faixa de bônus a quem poupar água

Clientes que reduzirem consumo entre 10% e 20% também terão desconto.
Decisão da Arsesp passa a valer a partir desta quinta-feira (23).

  
* * * Extraído do G1 * * *
A Agência Reguladora de Saneamento e energia do Estado de São Paulo (Arsesp) aprovou que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) amplie a faixa de bônus para quem economizar água em São Paulo. O desconto passa a valer a partir desta quinta-feira (23).
Agora, os imóveis que reduzirem em 10% ou 15% terão desconto de 10% na conta. Aqueles que diminuírem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20% (veja mais detalhes do programa abaixo).

Na terça-feira (21), a Sabesp havia informado que daria desconto na conta de água para os imóveis que reduzissem o consumo entre 10% e 20%. O bônus gradual foi solicitado pelo governador Geraldo Alckmin, mas dependia de aprovação da Arsesp.

Nesta quinta, o Sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, operava com 3% de sua capacidade, já considerando a 1ª cota da reserva técnica (volume morto), que começou a ser utilizada em 16 de maio.




Regras para o novo bônus

Os imóveis que reduzirem em 10% ou 15% terão desconto de 10% na conta. Aqueles que diminuírem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20%. O cálculo é feito em relação à média de consumo entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. Desde fevereiro, os clientes que economizam 20% ou mais recebem desconto de 30% na conta de água. A ampliação do bônus faz parte das ações adotadas pelo governo para amenizar os reflexos da crise hídrica no estado.


O balanço mais recente aponta que 49% dos clientes da Sabesp tiveram o bônus porque reduziram em pelo menos 20% seu consumo. Outros 26% economizaram, mas não receberam a bonificação. Ainda de acordo com a companhia, 25% gastaram mais água do que a média.

Cidades beneficiadas com o bônus:

- Região Metropolitana de SP: São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairros da divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista- Região Metropolitana de Campinas e região bragantina: Bragança Paulista, Hortolândia, Itatiba, Joanópolis, Monte Mor, Morungaba, Nazaré Paulista, Paulínia, Pinhalzinho, Piracaia e Vargem.

Tags: Falta de água, Represa, Sabesp, Seca

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sabesp admite possível 'incremento de ocorrências de falta d'água' em SP

* * * Extraído do portal G1 * * *
Plano enviado à ANA nesta sexta-feira prevê três cenários até abril de 2015.
No pior quadro, Cantareira pode ter déficit e depender de volume morto.
Isabela Leite Do G1 São Paulo
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) admitiu em documento enviado à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) a possibilidade de "incremento de ocorrências de falta d'água" caso os índices de chuva sobre o Sistema Cantareira até abril do próximo ano sejam iguais aos de 1953, que é o pior período da série histórica acompanhada pela companhia.
No documento enviado à ANA nesta sexta-feira (10) para obter licença para uso da segunda cota do volume morto, a Sabesp simulou três cenários para o Cantareira. No pior deles, que considera um regime de vazão afluentes (água originada de chuvas) semelhante ao de 1953, a Sabesp avalia que o sistema poderá chegar a abril sem ter qualquer recuperação de seu "volume útil" e ainda tendo déficit de 50 bilhões de litros da primeira cota do volume morto, que tem 182 bilhões de litros.
O Cantareira abastece atualmente 6,5 milhões de pessoas na capital e Grande São Paulo, mas opera com 5,1% da capacidade, considerando o uso da primeira cota do volume morto. Entretanto, no documento, a Sabesp defende que o uso da segunda cota do volume morto, chamado por ela de "Reserva Técnica II", amplia a "margem de segurança" do abastecimento da população durante o período chuvoso que vai de outubro de 2014 a abril de 2015.
Ao avaliar os cenários, a Sabesp afirma: "As simulações atestam que a perspectiva de utilização da Reserva Técnica II – ainda que esta utilização não constitua, no momento, uma certeza – amplia a margem de segurança para a continuidade do abastecimento metropolitano durante o ciclo hidrológico que ora se inicia, porém o risco para a garantia plena do abastecimento, com as vazões propostas, é aumentada sobremaneira (sic), com a possibilidade de incremento de ocorrências relacionadas à falta d'água."
O documento que apresenta a simulação de cenários é chamado de "Projeção de Demanda do Sistema Cantareira" (leia mais abaixo). Nele, a companhia disse ainda que prevê a redução da retirada de água durante a estação chuvosa, afirmou que a cota atual do volume morto pode acabar em 15 de novembro caso não chova e informou não ter planos de implementar racionamento.
Relatório da Sabesp
O relatório da Sabesp foi protocolado no DAEE na tarde desta sexta-feira, que encaminhou o documento à Agência Nacional de Águas. O objetivo da companhia é obter a autorização dos órgãos reguladores para o uso da segunda cota da reserva técnica do Cantareira, que "amplia a margem de segurança para a continuidade do abastecimento metropolitano durante o ciclo hidrológico que ora se inicia", segundo o plano de contingência. O DAEE já se posicionou favorável.
No documento, a Sabesp projeta possíveis situações de acordo com o regime de chuva. O primeiro cenário apontado pela companhia é de chuva nas represas - chamada de afluência - dentro da média para o período, citada como 100%. Nesse caso, até abril do próximo ano, o volume útil do sistema chegaria a 369,7 bilhões de litros. O segundo quadro considera índice de chuva em 75% do previsto, o que resultaria no volume de 148,8 bilhões de litros até abril.
A terceira - e pior situação - seria a incidência de chuva nas represas semelhante ao registrado em 1953, a mais baixa da série histórica acompanhada pela companhia. Neste caso, o sistema dependeria do volume morto porque o déficit de abastecimento chegaria a 50 bilhões de litros.
Redução de retirada de água
Mesmo sem o aval da ANA e do DAEE para usar a segunda cota do volume morto, a Sabesp considera reduzir imediatamente a retirada de água do sistema de 19,7 metros cúbico por segundo para 19 metros cúbicos/segundo e, a partir de novembro, para 18,5 metros cúbicos/segundo. Antes da crise hídrica, a companhia retirava 31 metros cúbicos/segundo das represas para abastecer moradores da Região Metropolitana de São Paulo.
Outros sistemas geridos pela empresa também passaram a atender 2,3 milhões de consumidores anteriormente abastecidos pelo Cantareira. Segundo a empresa, o relatório enviado aos órgãos reguladores demonstra que é possível garantir o abastecimento da população, mesmo com uma vazão menor, mas o conteúdo não foi divulgado. A empresa havia pedido aos órgãos reguladores prazo de entrega até segunda-feira (6) para fazer correções no relatório enviado em 26 de setembro, mas não cumpriu a data.
A agência aguarda o documento para analisar o pedido de uso da segunda cota da reserva técnica (volume morto) do sistema. O presidente da agência, Vicente Andreu, disse que autorizará a captação mediante divulgação detalhada sobre a crise hídrica por parte do governo. Ainda nesta tarde, o DAEE enviou ofício afirmando ser favorável à captação de água da segunda cota do volume morto. Cabe agora à agência se pronunciar.
Ação judicial
A crise hídrica também é investigada pelos Ministério Público Federal (MPF) e pela Procuradoria estadual. Nesta sexta-feira, a Justiça Federal de Piracicaba (SP) concedeu liminar que determina revisão das vazões de retirada do Cantareira. A decisão foi tomada a pedido dos promotores e definiu que as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis precisam garantir a recuperação do sistema em seu "volume integral" no prazo de cinco anos.
A medida obriga a ANA e o DAEE a assegurarem que o consumo do chamado volume morto 1 não se esgote antes do dia 31 de novembro, evitando prejuízos iminentes à bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.  Os órgãos deverão definir limites para as novas vazões de retiradas e criar um planejamento semanal das captações feitas pela Sabesp para preservar a cota mínima de 10% do volume útil original do Cantareira até a próxima estiagem, que tem início previsto para 30 de abril do ano que vem.
Em nota, a Sabesp alegou que a Justiça não deu oportunidade à empresa ou à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos para esclarecer as questões, e informou que, se autorizada, poderá utilizar a segunda parte da reserva técnica do Cantareira "apenas em caso de necessidade" e "embasada em rigoroso estudo técnico". A ANA não se manifestou porque ainda não recebeu a notificação oficial sobre a ação.
Tags: Água, Cantareira, Chuva, Represa, Sabesp, Seca