Preta Gil não resistiu ao tratamento contra o câncer nos EUA e
morreu, neste domingo (20/7). A coluna Fábia Oliveira descobriu que a cantora
teve piora no quadro de saúde desde a última quarta-feira (16/7).
Ela, que tinha 50 anos, foi à clínica fazer mais uma sessão de
quimioterapia e se sentiu mal. Lá, os médicos detectaram que a doença havia se
alastrado.
Família prepara comunicado
Esta jornalista sente muito em dar esta notícia. Procurada pela
coluna, a assessoria de imprensa da artista confirmou a informação e informou
que a família deve se manifestar em breve.
Ele sofreu um infarto fulminante. Paulo Barboza trabalhou
na Rádio Globo.
Por
G1 SP, São Paulo
16/04/2018 07h48 Atualizado há 6 horas
O radialista
Paulo Roberto Machado Barboza morreu, aos 73 anos, na madrugada desta
segunda-feira na cidade de São Paulo. Ele sofreu um infarto fulminante e,
segundo informações da família, o velório acontece às 9h no cemitério Horto da
Paz, em Itapecerica, na Grande São Paulo. A cremação deve acontecer às 17h.
Paulo
Barboza trabalhava na SuperRádio, mas já trabalhou nas ádios Record, Globo,
Tupi do Rio, América, Tupi de SP e Capital.
Em nota, a
Prefeitura de São Paulo afirma que lamenta o falecimento de Paulo Barboza e se
solidariza com sua família e seus fãs.
"Paulo
Barboza foi um dos maiores nomes do rádio nacional. Exerceu a profissão por 59
anos, sempre dando voz aos mais humildes e conectado com os anseios das
pessoas. Cumpriu com maestria seu importante papel de comunicador."
Paulo foi
casado por 48 anos com Eliane Barboza, que faleceu em 2015. Tem dois filhos,
Paulo e Alexandra Hermínia e é avô de três netos, Paulo Felipe, Rodrigo e Maria
Gabriella.
Carreira
Barboza começou sua carreira na Rádio Imperial, em 1959, na cidade de
Petrópolis, no rio de Janeiro. Passou para a Petrópolis Rádio Difusora com o
programa diário “De Microfone em Punho”.
Também apresentou o programa de prêmios e brincadeiras “Paulo Barboza
Pergunta”. Em 1963, ganhou o prêmio de melhor rádio repórter do Estado do Rio
do Sindicato dos Jornalistas, com matéria feita ao vivo do Cemitério Municipal
de Petrópolis, entrevistando os coveiros e ouvindo suas histórias fantásticas.
Em 1970 estreiou no Rio, na Super Rádio Tupi, das 9h às 12h, lançando o
“Programa Paulo Barboza”.
O jornalista
trabalhou na televisão nos canais: Tupi, Manchete, SBT, Record e Gazeta.
Sua estreia
na Rede Tupi de Televisão foi com o programa “É Lá Que a Tupi Vai”. Em 1980,
Barboza apresentou o “Sessão Premiada” no SBT. Em 1983, na TV Gazeta de São
Paulo lançou seu show de calouros, o “Programa Paulo Barboza”. Em 1984, de
volta ao SBT, Paulo foi o primeiro apresentador do game show “TV Powww!”. Em
1988 ele foi para a Record para apresentar o “Programa Paulo Barboza“.
De 2007 a
2013, Paulo foi jurado do Troféu Imprensa, comandado por Silvio Santos.
Paulo Silvino
posa com Serginho Groisman, Belo e Suzana Vieira durante gravação do programa
Altas Horas em julho de 2014 (Foto: Zé Paulo Cardeal/Globo)
* * * Extraído do
portal G1 * * *
Silvino
estreou na TV Globo em 1966, apresentando o Canal 0, programa humorístico que
satirizava a programação das emissoras de TV. Ele morreu aos 78 anos e lutava
contra um câncer no estômago.
Por G1
Rio
Morreu, na manhã desta quinta-feira (17), aos 78 anos, o ator
Paulo Silvino, que lutava contra um câncer no estômago. Segundo a Central Globo
de Comunicação, o humorista morreu em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do
Rio, no início da manhã. Em redes sociais, o filho mais novo do ator, João Paulo
Silvino, lamentou a morte do pai. "Que Deus te receba de braços abertos
meu pai amado".
“Ser comediante nasceu por acaso. Talvez
seja pela minha desfaçatez, porque eu nunca tive inibição de máquina. Tenho
tranquilidade com a câmera e tive vantagem em televisão por isso. O riso dos
cinegrafistas é o meu termômetro”. Paulo Silvino.
Segundo a família, Silvino
chegou a ser submetido a uma cirurgia no ano passado, mas o câncer se espalhou
e a opção da família foi que ele fizesse o tratamento em casa. A filha do
humorista, Isabela Silvino, também usou as redes sociais para falar sobre a
morte do pai. "Amigos, obrigada por todas as mensagens. Ainda estou naquele
processar isso tudo. Mas posso dizer que ele foi bem. Sem sofrer.",
afirmou.
Os amigos também lamentaram a
morte de Silvino. “Um dia triste. O Paulo Silvino é um super artista. A gente
falando aqui nesses tempos de Pop Star (programa dominical da TV Globo), é bom
lembrar que o Paulo Silvino foi um dos primeiros pop star do Brasil, um dos
primeiros atores que cantava, teve disco gravado na época da Jovem Guarda, foi
roqueiro, quer dizer, foi um homem de mil facetas. E pra mim, em especial, ele
foi uma espécie de padrinho porque minha primeira aparição na TV foi junto dele
no Balança Mais Não Cai e eu tinha só oito anos de idade. Quero mandar meus
sentimentos para a família”, disse o amigo e também ator Lúcio Mauro Filho.
O artista estreou na TV Globo
em 1966, apresentando o Canal 0, programa humorístico que satirizava a
programação das emissoras de TV.
Paulo Ricardo Campos Silvino
cresceu nas coxias do teatro e nos bastidores da rádio. Isso porque seu pai, o
comediante Silvério Silvino Neto, conhecido por realizar paródias de figuras
públicas no Brasil dos anos 1940 e 1950, levava o menino para acompanhar seu
trabalho. Paulo Silvino também mostrava talento para a música, revelado durante
as aulas que tinha com a mãe, a pianista e professora Noêmia Campos Silvino.
“Eu nasci nisso. Com seis,
sete anos de idade, frequentava os teatros de revista nos quais o papai
participava. Ele contracenava com pessoas que vieram a ser meus colegas depois,
como o Costinha, a Dercy Gonçalves.”, disse o ator em entrevista ao Memória
Globo.
Vida artística
Autor de bordões que não saem
da boca do povo, Paulo iniciou a carreira no rádio, mas já nos anos 1960 se
juntou ao elenco da TV Rio. Entre idas e vindas na Globo, estrelou Balança Mas
Não (1968) e teve destaque nos programas humorísticos Faça Humor, Não Faça
Guerra (1970), Uau, a Companhia (1972), Satiricom (1973), Planeta dos Homens
(1976), e Viva o Gordo (1981). Em Zorra Total (1999), seu personagem Severino
(que analisa "cara e crachá") se tornou popular.
Silvino nasceu no Rio de
Janeiro em 27 de julho de 1939 e pisou num palco pela primeira vez aos nove
anos de idade, quando se atreveu a soprar as falas para um ator de uma peça que
o pai participava. Na adolescência, ele se apresentava como crooner de um
conjunto de rock, acompanhado por músicos como Eumir Deodato (acordeon), Durval
Ferreira (guitarra) e Fernando Costa (bateria).
Seu lado cômico já se
manifestava durante os números do quarteto. Quando cantava Singin' in the Rain,
por exemplo, costumava abrir um guarda-chuva no palco. A primeira performance
profissional aconteceu em 1956. Anunciado como Paulo Ricardo, para evitar
associações com o pai, cantou dois sucessos de Little Richards para a platéia
do Programa César de Alencar, na Rádio Nacional. Durante a apresentação, rasgou
as próprias roupas e, apoteoticamente, comeu o medalhão de "ouro" que
estava usando, na verdade, um biscoito pintado de amarelo.
Na década de 1970, o comediante trabalhou nos programas Faça
Humor, Não Faça Guerra (1970), Uau, a Companhia (1972), Satiricom (1973) e
Planeta dos Homens (1976). Deixou sua marca como intérprete de personagens
lunáticos e criou bordões absurdos como "Ah, eu preciso tanto!",
"Eu gosto muito dessas coisas!", "Guenta! Ele guenta!",
"Ah, aí tem!" e "Dá uma pegadinha!".
Aos 66 anos, ex-jogador sofre infarto fulminante
durante almoço na cidade de Mogi Mirim. Velório será na terça-feira, na
capital, enquanto enterro acontece no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi
Por
GloboEsporte.com, Mogi Mirim, SP
Morreu neste
domingo um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro: Waldir
Peres, ídolo do São Paulo, com passagem pelo Corinthians e titular da Seleção
Brasileira na Copa do Mundo de 1982. Ele tinha 66 anos e sofreu um infarto
fulminante durante um almoço com a família, na cidade de Mogi Mirim, no
interior paulista.
– Nós viemos passear na casa de uns amigos numa festa de
aniversário em Mogi Mirim. Ele passou mal depois do almoço, nós o levamos a uma
farmácia e lá ele desmaiou. Depois levamos para o hospital, mas infelizmente
ele não resistiu. Foi fulminante – afirmou a irmã Isabel por telefone ao GloboEsporte.com.
Waldir Peres
se sentiu mal e teve um infarto por volta das 14h. Foi levado por familiares ao
hospital 22 de Outubro, em Mogi Mirim, mas não resistiu e teve a morte
decretada por volta de 15h30. O ex-goleiro deixa dois filhos, que moravam em
São Paulo, e uma filha, que está na Malásia. Ele não era casado, mas estava
acompanhado da noiva.
O corpo do Waldir sairá de Mogi Mirim nesta
segunda-feira, às 17h, e virá pra São Paulo. O velório será a partir de terça e
o enterro, só na quarta (às 9h) – para aguardar a filha que vem do exterior –,
no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi.
A carreira
Nascido em Garça, interior de São Paulo, no dia 2 de
janeiro de 1951, Waldir Peres começou a carreira na Ponte Preta, que o revelou
em 1970. Três anos depois, se transferiu para o São Paulo, onde se tornou um
dos maiores goleiros da história. Entre 1973 e 1984, fez 617 partidas (só perde
para Rogério Ceni em presenças) e ganhou o Brasileiro de 1977 (onde teve papel
decisivo nas cobranças de pênalti) e os Paulistas de 75, 80 e 81.
No Morumbi, ganhou destaque a ponto de
ser presença constante nas convocações da Seleção. Como reserva, foi às Copas
do Mundo de 1974 e 78, mas teve a chance de ser titular em 1982, na equipe que
marcou época apesar de não ter sido campeã. O goleiro fez 39 partidas com a
camisa amarelinha, a última na derrota por 3 a 2 para a Itália.
Waldir deixou o Tricolor em 1984,
quando se transferiu para o América-RJ. Defendeu mais quatro clubes – Guarani
em 85-86, Corinthians em 86-88, Portuguesa em 88 e Santa Cruz em 88 – até
voltar a Campinas e encerrar a carreira pela Ponte Preta, em 1989. Dois anos
depois, iniciou a carreira de treinador.
Waldir Peres foi treinador por 22 anos,
de 1991 até 2013, com passagens por muitos times do interior paulista (São
Bento, Inter de Limeira, Nacional, Ferroviária e Oeste, entre outros), além de
clubes de outros estados, como Itabaiana-SE, Rio Branco-PR, Uberlândia-MG,
Vitória-ES e Grêmio Maringá-PR. O último trabalho foi justamente em Maringá.
Tags: Futebol, Globo Esporte, Luto, Mogi Mirim, Notícias, Valdir
Peres
Hoje é um dia triste para os fãs do Homem-Morcego. Adam West, intérprete de Batman/Bruce Wayne na histórica série de TVexibida entre 1966 e 1968, faleceu aos 88 anos, vítima de leucemia.
"Nosso pai
sempre se viu como o Cavaleiro Brilhante e buscava trazer um impacto positivo
aos fãs. Ele era e sempre será nosso herói", diz o comunicado
oficial da família sobre seu falecimento.
Por mais que tenha
despontado no indicado ao OscarO Moço da
Filadélfia, foi na TV que West encontrou a fama. Seu Batman exibido
nos anos 60 ficou marcado pelo tom bem-humorado e kitsch, com vilões exagerados
e onomatopeias visuais ressaltando as batalhas enfrentadas pelo super-herói -
isso sem falar de uma certa barriguinha no Homem-Morcego. Além das três
temporadas, West ainda estrelou um longa-metragem sob o manto do herói:Batman, o Homem-Morcego.
Se por um lado o
sucesso da série fez com que fosse sempre lembrado pelos fãs, por outro o
prejudicou para que conseguisse papéis mais diversificados. A marca do Morcego
estava associada demais à imagem de West, o que afastava convites para outras
produções de renome.
Décadas mais tarde,
West retornaria ao seu personagem mais famoso como dublador, em animações
nostálgicas como Batman - O Retorno da Dupla Dinâmicae o ainda inéditoBatman vs.
Duas Caras. Além disto, teve participações especiais em séries
de forte apelo com os quadrinhos, como The Big Bang
TheoryePowerless.
Descanse em paz,
Adam West. Os fãs agradecem todo o trabalho e dedicação na criação de um dos
heróis mais memoráveis da cultura pop mundial.
Ator morreu após complicações de uma
doença pulmonar. Ele ficou conhecido por novelas como 'Irmãos coragem', além de
peças e filmes como 'Chico Xavier'.
Por G1
Atualizado há 1 hora
O ator
Nelson Xavier morreu, aos 75 anos, na madrugada desta quarta-feira, 10, em
Uberlândia, Minas Gerais. Tereza Villela Xavier, filha do ator, usou sua página
no Facebook para falar da perda do pai.
"Lamento informar a quem possa
interessar que meu pai, Nelson Xavier, faleceu esta noite em Uberlândia. Seu
corpo será transferido, celebrado e cremado no Rio de Janeiro em cemitério
ainda não determinado. Agradeço desde já as mensagens de apoio. Ele virou um
planeta! Estrela ele já era. Fez tudo que quis, do jeito que quis e da sua
melhor maneira possível, sempre", escreveu ela.
Em 2014, durante o Festival de Gramado,
Nelson Xavier contou que fez tratamento contra o câncer de próstata em 2004 e
que estava livre da doença. Foi lá também que recebeu o prêmio de melhor ator
com "A despedida", um de seus últimos trabalhos.
A morte, por volta das 0h45, ocorreu após o
agravamento de uma doença pulmonar.
"O ator faleceu próximo a amigos e
familiares. Estava com o semblante sereno", disse o o médico geriatra
Tiago Ferolla. O corpo foi encaminhado para uma funerária do município e deve
ser levado no início da tarde para o Rio de Janeiro.
Perfil
Nelson Agostini
Xavier nasceu em São Paulo, em 30 de agosto de 1941. Chegou a cursar Direito,
mas a paixão pelo cinema mudo o estimulou a mudar de profissão. Nos anos 1950,
entrou para a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo e também
para o Teatro de Arena – um dos mais importantes grupos de artes cênicas
daquela época.
Atuou, então,
em suas primeiras peças, entre elas "Eles não usam black-tie" (1958),
de Gianfrancesco Guarnieri, "Chapetuba Futebol Clube" (1959), de
Oduvaldo Vianna Filho, "Gente como a gente" (1959), de Roberto
Freire, e "Julgamento em Novo Sol" (1962), de Augusto Boal.
Nelson era
tímido e chegou a acreditar que não tinha vocação para as artes dramáticas,
queria trabalhar atrás das câmeras. “Eu tive muita dificuldade em começar a
fazer televisão. As máquinas eram enormes, eu tinha pavor, até tremia”, contou
ao site Memória Globo. Nessa época, também foi jornalista. Com o diretor
Eduardo Coutinho, trabalhou como revisor na revista "Visão", onde
passou a colaborar também como crítico de cinema e teatro.
Cinema e
TV
Após o golpe
militar de 1964, que intensificou a censura ao teatro político, o ator passou a
estar mais presente no cinema. Até o fim dos anos 70, fez mais de 20 filmes,
entre eles "O ABC do amor" (1967), de Eduardo Coutinho, Rodolfo Kuhn
e Helvio Soto, "É Simonal" (1970) e "A culpa" (1972), de
Domingos de Oliveira; "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), de
Bruno Barreto, e "A queda" (1978), de Ruy Guerra, que lhe rendeu um Urso
de Prata no Festival de Berlim.
Sua primeira
participação na TV foi como o personagem Zorba, na novela "Sangue e
areia" (1967), de Janete Clair. Seis anos depois, conseguiu seu primeiro
grande papel, em "João da Silva" (1973). Mas foi em 1982 que viveu um
de seus principais protagonistas, na primeira minissérie da Globo,
"Lampião e Maria Bonita", dirigida por Paulo Afonso Grisolli e
baseada nos últimos seis meses de vida de Virgulino Ferreira da Silva.
Na Bahia,
gravou a minissérie "O pagador de promessas" (1988), dirigida por
Tizuka Yamasaki, com autoria de Dias Gomes. Na trama, interpretou o gigolô
Bonitão, que tentava seduzir a mocinha Rosa (Denise Milfont). Nelson também fez
novelas, entre elas "Pedra sobre pedra" (1992), "Irmãos
coragem" (1995), "Senhora do destino" (2004) e
"Babilônia" (2015).
”,contou
Nelson Xavier, que no longa viveu o líder espírita dos 59 aos 65 anos. “Nenhum
dos personagens que fiz mudou minha vida. O Chico fez uma revolução”.
Belchior anunciou em seus versos o
desejo de desaparecer
Antonio Carlos Belchior comandou uma rebelião silenciosa na música
popular brasileira. Uma rebelião contra os totens da geração anterior (Caetano
Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil), contra as limitações impostas
pela ditadura policial, contra a diminuição do papel libertário da
juventude na afirmação do futuro, contra os horizontes curtos da poesia musical
de deglutição fácil.
Ex-monge capuchinho, ex-estudante de medicina, ele trouxe uma
ética rígida de comprometimento e romantismo para a nossa literatura musicada,
e ninguém jamais irá tão longe quanto ele, nunca. Primeiro, porque Belchior foi
tão distante em seu questionamento que optou pela própria desaparição como sua
derradeira obra.
De recursos musicais parcos, Belchior apareceu para a música em
1967, em Fortaleza, no Ceará, arregimentado na faculdade de medicina pelos
amigos talentosos (Jorge Mello, Fausto Nilo, Augusto Pontes, Fagner, Amelinha)
para as fileiras da música. Tocava um violãozinho limitado, conhecia Luiz
Gonzaga e Cego Aderaldo, assim como Ray Charles e Beatles. Tinha, contudo, um
componente delirante: a filosofia católica, que tinha estudado como frade no
Mosteiro de Guaramiranga entre 1963 e 1966.
Seus embates entre a culpa
católica e o visionarismo libertário fizeram dele o maior poeta de sua geração.
Como Rimbaud e William Blake, que ele amava, atravessou territórios entre a
alma e o corpo para forjar sua obra, que é inigualável.
Belchior viveu em festas faustosas e morou em canteiro de obras. Fascinou Elis
Regina e também Raul Seixas. Enfrentou a exceção democrática com os versos mais
duros e guerrilheiros que a MPB conheceu, mas que eram tão finos que os
censores nem entenderam direito. Debateu com Caetano Veloso e foi ao Congresso
em busca de melhores condições de pagamentos de direitos autorais.
Seus discos-chave são os três primeiros: "Mote &
Glosa", "Alucinação" e "Coração Selvagem". Nesses três
discos, exercitou as qualidades que o distinguiriam para sempre. "Mote
& Glosa" é a experimentação mais vanguardística aplicada à tradição
regional, ao pó do sertão. "Alucinação" é a visão do Dylan caboclo, é
a transcriação da folk music em uma estrutura de romantismo suburbano.
"Coração Selvagem" é o manifesto libertário, o rompimento com as
amarras sociais.
Belchior viveu entre o Rio e São Paulo, estabelecendo-se nesta
última. Foi o primeiro a fazer uma canção como se deve para a metrópole que
abraçou, a paulicéia. Chama "Passeio", está no seu primeiro disco.
Produziu discos nos Estados Unidos ("Todos os Sentidos"
e "Era Uma Vez um Homem e o Seu Tempo"), brigou de faca com seu
grande antípoda musical, Fagner, amou muitas mulheres e foi cortejado como sex
symbol pela indústria musical. “Mas a mulher, a mulher que eu amei, não não
pode me seguir, não”. Almejou tornar-se independente da indústria e construiu
suas próprias gravadoras (Paraíso Discos) e estúdio (Camerati). Fracassou.
Não houve artista mais fora dos trilhos do que Belchior na música
brasileira. Foi o grande outsider da canção, até Raulzito era mais gregário do
que ele. Fez canções concretistas em 1967, 1968. Falou de psicanálise, futebol,
Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Dante Alighieri, Drummond. Em suas
canções, nada disso soa blasé, forçado, é tudo orgânico, macio, encaixado.
Belchior nunca foi papudo - são famosos os versos de "Velha Roupa
Colorida" nos quais ele cita Poe, Beatles e Luiz Gonzaga de uma tacada só.
A grandeza de sua poesia movimentou teses de doutoramento, acendeu
a chama em artistas jovens do Brasil todo, que abraçava como parceiros, como
Gracco (compositor de "Coração Alado") e até artistas de outros
quadrantes, como Arnaldo Antunes e Aguilar, de São Paulo. Mas, em toda sua
trajetória, o desejo de desaparecer, o inconformismo com os rumos da vida
coletiva e também a individual marcavam seus versos. Cumpriu-se uma profecia.
Como ele disse, na canção "Depois das Seis" (do disco "Objeto
Direto"):
“Até
logo. Eu vou indo. Que é que eu estou fazendo aqui? Quero outro jogo Que este é fogo de engolir”