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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Única a funcionar plenamente, Linha 4 do Metrô teve movimento abaixo do normal

* * * Extraído do Portal G1 * * *

Linha Amarela, administrada por concessionária, virou alternativa. Passageiros ouvidos pelo G1 dizem apoiar greve geral contra reforma da previdência.




A Linha 4 Amarela do Metrô foi a única do transporte metropolitano de São Paulo a funcionar plenamente nesta sexta-feira (28). Mas, com o fechamento das transferências com as linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM), que aderiram à greve geral, o movimento de pessoas na hora do rush matinal despencou em relação a outros dias úteis. Às 9h30, as baldeações foram abertas.
"Dá até para fazer piruetas quando não tem trem", brincou uma senhora na estação Luz, às 7h, enquanto tentava achar uma saída para a rua, onde pegaria uma van do trabalho.

Entre as 5h e 7h da manhã, a maior parte das pessoas que circularam pelas estações da Linha 4 eram porteiros, guardas noturnos, domésticas e funcionários de manutenção que trabalharam durante a madrugada em bairros do Centro ou da Zona Oeste e precisavam ir para casa de trem, metrô ou ônibus. As alternativas, para eles, foi sentar e esperar, ou retornar ao serviço.

"Devia ter vindo de carro", afirmou o porteiro Cosme Barbosa Delfino, de 42 anos. Ele mora em Itaquera, na Zona Leste, perto da estação final da Linha 3 Vermelha, mas trabalha há 23 anos como porteiro noturno em um edifício em Pinheiros. Às 5h20, ele descia a escala rolante na estação Fradique Coutinho, com o plano de fazer baldeação na República e seguir para casa de metrô. Ele ainda não sabia que a transferência estava fechada.




Passageira da Linha Amarela (Foto: Carolina Moreno/G1)

O plano B foi descer na República e procurar uma perua. Mas, às 5h30, a Praça da República estava quase deserta, sem ônibus e com poucos carros e pedestres. Hanncia Lopes Pereira, de 44 anos, era uma das poucas pessoas por ali. Ela conta que chega todos os dias às 3h30 para vender café na saída do metrô. "Sempre quando tem paralisação tem mais gente", comparou ela.

Depois de alguns minutos pensando no que fazer, Cosme decidiu retornar ao serviço. "Acho que vai ficar o dia todo mesmo", disse ele, avisando que não se estressa e que espera que a greve tenha efeito. "Porque as propostas que eles estão querendo aprovar... A população está indignada, revoltada."

Outro porteiro que também trabalhou à noite e ficou sem opções para ir para casa nesta sexta foi Domingos Rodrigues Filho, de 54 anos. Ao contrário de Cosme, porém, ele é contra a greve.
Bastante cansado, ele contou ao G1 que trabalhou das 18h às 6h, precisou andar de Santa Cecília até a República e pegou o metrô até Pinheiros. À frente das catracas bloqueadas da transferência para a Linha 9 da CPTM, ele disse que ainda precisava ir até o Terminal Santo Amaro e pegar a Linha Lilás do Metrô até o Capão Redondo, na Zona Sul, onde mora. Ele diz que costuma chegar em casa antes das 8h, mas, às 7h30, seguia no Terminal Pinheiros sem saber o que fazer.

"É cruel uma coisa dessas, só prejudica o trabalhador", reclamou ele. Apesar de ser contrário à greve, ele também é contra as reformas trabalhista e da Previdência, que, segundo ele, "na verdade não melhoram em nada". Ele lembra, porém, que em outros casos em que protestos conseguiram resultados, como as manifestações contra o aumento da tarifa, os ganhos foram temporários e tarifa acabou aumentando de novo.
A cuidadora de idosos Joana Lima Bastos, de 62 anos, e a vendedora Mônica Maria, de 27, também viraram a noite trabalhando e, antes das 8h, ainda não tinham rumo certo. Joana terminou um turno às 6h na Vila Madalena e precisou caminhar mais de meia hora até o terminal. "Todo dia eu pego um ônibus até aqui, outro até Campo Limpo e depois outro até a minha casa", disse a idosa, que mora no Capão Redondo. "Sempre eles falam que vai ter greve e não tem, então eu confiei. Da outra vez fiquei esperando até as 9h e o trem começou a funcionar", contou ela.

Mônica, que começou seu turno em um quiosque de comida que fica entre os pontos de ônibus do terminal, ainda trabalhava por volta das 8h - apesar de não haver clientes e de o local estar sem energia desde as 2h. Seu turno já era para ter acabado, mas a funcionária que a renderia não conseguiu chegar por causa da greve. "E eu não sei como vou poder ir para casa", completou ela.

As duas, porém, dizem que a greve é justa. "Sou a favor, mas deveriam fazer de tarde. Tem outras pessoas que estão no serviço à noite e não têm como voltar para casa", disse Joana, que, aos 62 anos, só tem quatro anos de contribuição no INSS, graças à PEC das Domésticas. "Quando cheguei em São Paulo em 1975 as patroas não tinham esse costume de registrar na carteira".




Passageira do Metrô (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
'Só na base da carona'

Independente da posição favorável ou contrária à greve, quem não aderiu precisou encontrar alternativas. Jucilene Canuto, de 45 anos, trabalha no Largo do Arouche e usa a Linha Amarela todos os dias. Porém, antes de chegar à estação Luz, ela precisava pegar a Linha Azul para sair de casa, no Tucuruvi, na Zona Norte. No fim, ela acabou tendo sorte: "Como meu irmão trabalha no Centro, a empresa dele mandou transporte, e eu aproveitei e peguei carona até a República. Senão, teria sido muito mais difícil."
A rotina dela teve que mudar. "Eu entro todo dia às 9h", afirmou Jucilene, que, todos os dias, sai de casa às 7h30. Nesta sexta, porém, ela já estava na Linha Amarela por volta das 7h. "Hoje saí às 6h, e agora estou indo para o Butantã buscar uma pessoa que não conhece o trajeto. Ela também conseguiu carona, mas até o metrô Butantã. Hoje é tudo na base da carona", afirmou Jucilene.
Assim como a maior parte dos poucos passageiros na Linha 4, ela não perdeu a calma. "Com certeza vale a pena. Acho que é válido, a gente sabe que vai causar prejuízo, mas com certeza tem uma consequência boa. Tem que ter reformas, mas elas precisam ser justas."
Linha Amarela virou alternativa

Pouco depois das 8h, o movimento na Linha Amarela começou a aumentar, mas, segundo os frequentadores diários, os trens costumam ficar muito mais cheios em dias normais.
Um dos efeitos da adesão dos metroviários e motoristas à greve foi transformar a Linha Amarela em uma alternativa inusitada para muita gente. Um jovem que não quis se identificar afirmou que mora em Itapevi e costumava pegar a CPTM até a estação Júlio Prestes, e depois seguir até a Liz. Nesta sexta, porém, ele foi parar no Butantã. "Vi um ônibus passando e peguei", disse ele, que teria que chegar às 7h na Santa Efigênia, mas, às 8h15, ainda estava em Pinheiros.

Já o ex-metalúrgico Donizete da Silva, de 58 anos, mora em Osasco e só precisa ir ao Hospital das Clínicas uma vez a cada três meses, para fazer um tratamento de trombose que ele começou há três anos. A consulta mais recente, às 9h desta sexta, foi marcada em fevereiro e caiu justamente no dia da greve. "Mas tem que ir, né", disse ele, que costumava pegar um ônibus até a Vila Iara e outro até as Clínicas, mas, às 8h25, desembarcava na estação Paulista com o plano alternativo de caminhar até o hospital.
A mudança o desagradou, e ele aproveitou para avisar que é contra a greve. "O direito de ir e vir é de todos nós", afirmou ele. Donizete diz que já foi sindicalista, mas acredita que hoje os sindicatos só servem para apoiar políticos corruptos. Ele acredita que há muito populismo na política e acha que "não é questão de ser contra ou a favor das reformas", porque, segundo ele, a situação atual não é sustentável.


Tags: Emprego, Greve, G1, Manifestação, Patrão, Transporte

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Em decisão conjunta, Rio e SP anunciam redução da tarifa do transporte

Carolina Farias e Guilherme Balza
Do UOL, no Rio e em São Paulo

 A partir da esq., o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciam a redução da tarifa de ônibus, metrô e CPTM


·         A partir da esq., o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciam a redução da tarifa de ônibus, metrô e CPTM
Após diversos protestos que se espalharam nas principais cidades brasileiras, os governos do Rio de Janeiro e de São Paulo anunciaram, na noite desta quarta-feira (19), a redução das tarifas do transporte público.
Em São Paulo, o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), anunciaram que o valor dos ônibus, metrô e trem voltarão a ser R$ 3 a partir da próxima segunda-feira (24), ante aos R$ 3,20 que atualmente são cobrados. Já a integração dos ônibus com o metrô e os trens da CPTM  (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) voltará a custar R$ 4,65 --hoje o valor é R$ 5.
Já no Rio de Janeiro, o aumento no valor das passagens de ônibus, metrô, trens e barcas também foi suspenso, segundo o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), que disse que a decisão foi combinada com o Estado vizinho. "Essa suspensão se dá em conjunto com o prefeito de São Paulo."

São Paulo

"Quero dizer que no caso do metrô e trem, nós vamos revogar o reajuste dado, voltando a tarifa original de R$ 3. É um sacrifício grande, vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas não têm como arcar com esses custos", disse Alckmin ao anunciar a medida. "Esse debate vai ser feito com a sociedade, as implicações dessa medida. Esperamos a manutenção do espírito de democracia. Estaremos em diálogo com a população de São Paulo", afirmou Haddad.
A passagem do transporte coletivo em São Paulo foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,20 no último dia 2. A inflação desde o último aumento nos ônibus da capital, em janeiro de 2011, foi de 15,5%, de acordo com o IPCA (índice oficial, calculado pelo IBGE). No caso do metrô e dos trens, o último reajuste ocorreu em fevereiro de 2012. Se optassem por repor toda a inflação oficial, a gestão Haddad teria de elevar a tarifa para R$ 3,47 e o governo de Geraldo Alckmin, para R$ 3,24.

Inicialmente, Alckmin e Haddad se mostraram irredutíveis e descartaram inclusive a hipótese de suspender, por 45 dias, o reajuste já aplicado nas tarifas. O prefeito afirmou ainda que uma possível diminuição implicaria em reduzir recursos destinados para outras áreas, como educação e saúde.
Os discursos, no entanto, começaram a mudar com a resistência dos manifestantes. No início desta semana, Haddad chegou a dizer que avaliava "algumas alternativas" para reduzir o valor das passagens.
Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que duas desonerações feitas pelo governo federal permitiam que os municípios, inclusive São Paulo, fizessem reajustes menores ou reduzissem o preço nos casos em que o reajuste já havia sido feito, com queda de 7,23%.
No entanto, Haddad "corrigiu" a informação da ministra e afirmou aoUOL que "o reajuste da tarifa de ônibus no município já foi feito com base nas desonerações do governo federal.
Nesta quarta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo não tem mais espaço para cortar impostos que incidem sobre as tarifas de transporte público no país. Segundo o ministro, "a parte mais salgada da conta já foi reduzida".
Em entrevista coletiva na manhã de hoje, Haddad disse que reduzir a tarifa de ônibus seria uma medida populista e que não iria tomar essa decisão se tivesse que retirar dinheiro de outras áreas do orçamento da capital paulista.

Resumo dos protestos dia-a-dia


 

Rio de Janeiro
No dia 1º de julho, a passagem de ônibus no Rio havia aumentado de R$ 2,75 para R$ 2,95, causando uma série de protestos pela cidade. O prefeito anunciou ainda que os aumentos no metrô (de R$ 3,20 para R$ 3,50), trens (de R$ 2,90 para R$ 3,10) e barcas (R$ 4,50 para R$ 4,80) também serão revogados.
"São R$ 200 milhões que têm que ser arcados pelo poder público. Arcar com esses recursos significa, sim, a escolha de prioridades. Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas", afirmou o prefeito do Rio. A revogação nos valores valerá a partir de sexta-feira (21), quando a decisão deve ser publicada nos diários oficiais do município e do Estado.
Programados via redes sociais, os protestos que tomaram o Brasil na última segunda-feira (17) surpreenderam pelo tamanho e, em alguns locais, pela violência, caso do Rio de Janeiro, onde cem mil pessoas tomaram o centro da cidade e ao menos 31 ficaram feridas; dois manifestantes seguem internados devido a ferimentos causados por armas de fogo atribuídos à polícia.
Imagens mostram ainda policiais militares atirando para cima com fuzis. Em entrevista coletiva na terça, o coronel Frederico Caldas, porta-voz da Polícia Militar do Rio, afirmou que as imagens de policiais atirando para o alto com fuzis e revólveres durante o protesto demonstram que não havia "objetivo de atingir quem quer que seja". Segundo ele, apenas a perícia da Polícia Civil determinará se algum dos feridos por arma de fogo foi atingido por algum policial.
Belo Horizonte
Após três dias de protestos consecutivos, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), anunciou hoje também que enviará à Câmara dos Vereadores da cidade projeto de lei com intuito de reduzir o valor passagem de ônibus na capital mineira.
O último reajuste foi feito no final do ano passado, e o valor da passagem mais utilizada pelos usuários é a de R$ 2,80.
Segundo nota divulgada pela assessoria da prefeitura, o projeto conterá proposta de isenção do ISS (Imposto Sobre Serviços) na incidência do custo do transporte coletivo. No entanto, não há informação sobre o valor da redução que seria alcançada com a nova medida.

Tags: Manifestação, Metro, Ônibus, Passe Livre, Tarifa, Transporte, Trem