Lazere
viveu por 30 anos, segundo documentos franceses — Foto: Reprodução/Instagram
* * * Extraído do Portal G1 *
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Lazere nasceu em
4 de dezembro de 1995, segundo registros de documentos franceses. Guinness não
se manifestou sobre possível recorde.
Por France
Presse
15/05/2026 15h42 Atualizado há 4
horas
Um spaniel francês chamado Lazere,
considerado "o cachorro mais velho do mundo", morreu aos 30 anos,
informou sua responsável nesta sexta-feira (15).
A
AFP entrou em contato com os organizadores do Guinness World Records para
apurar se Lazare havia alcançado o recorde antes de morrer na quinta-feira
(14), mas não obteve uma resposta imediata.
Lazare,
um "spaniel toy" com orelhas erguidas em forma de borboleta, nasceu
em 4 de dezembro de 1995, segundo a funcionária de um abrigo de cães
Anne-Sophie Moyon.
O
cachorro passou grande parte da vida com a mesma tutora, até que ela morreu.
Então, ele foi levado para um abrigo de animais. Ophelie Boudol, de 29 anos,
encantou-se pelo cachorro um ano mais velho que ela e o adotou.
Boudol
havia planejado, inicialmente, encontrar um animal de estimação para sua mãe,
disse à AFP. No entanto, em vez disso, decidiu inserir Lazare à família. O
animal morreu apenas algumas semanas depois.
"Era
nosso pequeno bebê”
Com
30 anos e cinco meses, Lazare usava fraldas, já não podia ouvir, enxergar e
dormia quase todo o dia. No entanto, Boudol disse que ele tinha uma presença
encantadoramente vívida.
"Ele
realmente tem uma personalidade muito cativante", disse à AFP enquanto o
embalava em sua casa na localidade de Villy-le-Pelloux, sudoeste da França, no início
desta semana.
Quando
Moyon descobriu a idade de Lazare, ela e seus colegas de abrigo acreditaram que
"poderia ser o cachorro mais velho do mundo".
Depois
de verificar sua data de nascimento em dois registros, preencheram a
documentação para inscrevê-lo para um possível recorde, como uma espécie de
brincadeira, acrescentou ela.
Um
mastim português chamado Bobi foi considerado o cão mais velho quando morreu em
2023, supostamente aos 31 anos, segundo o site do Guinness World Records.
Porém, uma revisão em 2024 determinou que não havia provas
suficientes sobre a idade dele.
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Instituto Butantan já havia obtido autorização para aplicação de 6
milhões de doses que chegaram prontas da China. Novo pedido aprovado se refere
a doses envasadas no Brasil
Por
Gustavo Garcia, Paloma Rodrigues e Luiz Felipe Barbiéri, G1 e TV Globo — Brasília
A
diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
aprovou nesta sexta-feira (22) por unanimidade o uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da vacina CoronaVac,
desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto
Butantan.
Essa fração chegou pronta da China e começou a ser distribuída em
todo o país pelo Ministério da Saúde nesta semana (saiba mais ao final desta reportagem).
O novo pedido de autorização é para o uso emergencial de todas as
doses envasadas pelo Butantan.
As doses do primeiro lote foram integralmente fabricadas na China
e enviadas ao Brasil em frascos já prontos para aplicação, com uma dose por
recipiente.
Já as doses aprovadas nesta sexta pela Anvisa foram feitas com a
matéria-prima enviada pela Sinovac ao Butantan, que finalizou a produção e
envasou as 4,8 milhões de doses em frascos contendo dez doses cada um.
De acordo com a Anvisa, as dez doses devem ser aplicadas no prazo
de oito horas após o recipiente ser aberto. A agência alerta para o fato de
que, passadas oito horas da abertura do frasco, não é possível garantir a
integridade e a pureza da vacina.
As doses em frascos fechados, que nunca foram abertos, têm,
segundo a Anvisa, prazo de validade de 12 meses, de acordo com as primeiras
análises.
Segundo a Anvisa, os frascos precisam ser armazenados em
temperatura entre dois a oito graus, mas suportam, fora dessa temperatura,
tempo suficiente para a aplicação nas pessoas.
Apresentações técnicas
Gustavo Mendes, gerente-geral de
Medicamentos e Produtos Biológicos, fez uma apresentação técnica sobre o pedido
do Instituto Butantan e, ao final, recomendou a aprovação para uso emergencial,
frisando que há ausência de “alternativas terapêuticas” para o tratamento da
Covid-19.
“Tendo em vista o cenário da pandemia, o aumento do número de
casos, ausência de alternativas terapêuticas específicas para a Covid,
recomendamos a aprovação dessa vacina nessas condições, mas com monitoramento
das incertezas”, disse Gustavo Mendes.
Ele destacou que a armazenagem das doses em uma câmara fria deve ser
feita em uma temperatura entre dois e oito graus. Segundo Mendes, armazenar os
imunizantes nessas condições “preserva a vacina da melhor maneira".
O gerente-geral de Medicamentos disse ainda que, desta vez, o
frasco da vacina é do tipo multidose, com dez doses. O primeiro pedido fez
referência a frascos do tipo monodose, ou seja, contendo dose única.
A recomendação, segundo Gustavo Mendes, é de que as dez doses
sejam utilizadas em um prazo de até oito horas após a abertura do frasco.
“Se essas dez doses não forem utilizadas em até oito horas, nós
não conseguimos garantir a integridade e a pureza da vacina. Então, além de
determinar esse prazo de até oito horas para que a vacina seja utilizada, a
nossa preocupação é que as técnicas assépticas para manuseio estejam atentas
para que não haja qualquer risco de contaminação desse frasco durante o uso”,
afirmou.
O gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa,
Fabrício Carneiro de Oliveira disse na apresentação técnica que, em mais de 5
mil unidades envasadas analisadas, não foi identificada nenhuma unidade
contaminada após a incubação, o que “demonstra que os procedimentos estão
adequados para permitir que não haja contaminação involuntária”.
“O parecer é que as informações prestadas demonstram o cumprimento
das boas práticas e justificam o uso emergencial da vacina. Nos manifestamos
pela aprovação de eventuais novos pedidos de uso emergencial nos moldes já
apresentados neste momento, ou seja, vacinas importadas prontas bem como o
granel formulado pela Sinovac com envase e acondicionamento pelo Butantan”,
disse.
Votos
Após as apresentações técnicas, a
relatora Meiruze Freitas votou pela aprovação do pedido de uso emergencial do
segundo lote de vacinas CoronaVac.
“Entende-se que esses [dados e esclarecimentos] são suficientes
para dar suporte a autorização para apresentação multidose da vacina e para o
processo de envase no Instituto Butantan. Para a apresentação multidose, foi
aprovado o prazo provisório de 12 meses”, disse.
Em outro momento do voto, Meiruze Freitas disse que, apesar de
algumas incertezas ainda existentes pelo estágio em desenvolvimento da vacina,
“os benefícios conhecidos e potenciais da vacina superam os riscos”.
“A vacina CoronaVac atende aos critérios necessários de qualidade,
segurança e eficácia para o uso emergencial. Da mesma forma, como no estudo
anterior, faço uma ressalva a um ponto crítico que requer abordagem
complementar quanto ao estudo de imunogenicidade. Dessa forma, está mantido o
compromisso pelo Butantan de que até 28 de fevereiro os estudos estejam
apresentados para a Anvisa”, afirmou a relatora.
Meiruze Freitas lembrou que não há medicamentos registrados na
Anvisa com indicação específica para o tratamento da Covid-19. Ela também
ressaltou que “há poucos tratamentos de suporte disponíveis”.
“Mesmo em um cenário de incerteza, uma vacina contra a Covid-19
segura, capaz de prevenir e reduzir mortalidade e morbidade, pode ser
autorizada para uso emergencial, em especial no contexto dessa pandemia”,
disse.
Após o voto de Meiruze Freitas, os diretores Romison Mota, Alex
Campos, Cristiane Jourdan e o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra
Torres, também votaram pela aprovação do pedido de uso emergencial,
acompanhando o voto da relatora.
“Não importa que críticas infundadas sejam construídas, não
importa que críticas sejam feitas por pessoas que nunca conversaram conosco. O
que se aprova no dia de hoje é uma modalidade de uso chamada de uso
emergencial. Trata-se de um momento em que um balanço entre riscos e benefícios
é considerado favorável”, disse Barra Torres ao se manifestar favoravelmente ao
pedido do Butantan.
Pressões e atraso
Na abertura
da reunião, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres disse que não
faz “nenhum sentido” atrelar o nome da Anvisa às palavras “burocracia” e
“atraso”. Ele também afirmou que não “há sentido” em falar de pressões sobre a
Anvisa.
“Somos,
sim, os recordistas em tempo de análise bem feita e com segurança para oferecer
produtos confiáveis à população”, afirmou o diretor da agência.
“A pressão
é uma só: temos que contribuir para assegurar a saúde dos nossos cidadãos”,
acrescentou Barra Torres.
Na
sequência, a diretora Meiruze Freitas, relatora do pedido, disse que a Anvisa
tem compromisso em avaliar as demandas com “celeridade”, mas “dentro dos
critérios que resguardam a qualidade dos produtos que serão utilizados na nossa
população”.
A reunião
que discutiu o tema durou cerca de cinco horas. Os diretores acompanharam o
voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos.
No caso da
CoronaVac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de
compromisso e publicação em "Diário Oficial".
Ao
proclamar o resultado, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres,
afirmou:
"A
imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo
vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos.
Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós
brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa,
confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance
vá e se vacine."
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Ele é Pelé há 64 anos, quando chegou ao Santos - o clube de Pelé.
Há 63 anos
Ele vestiu a amarelinha pela primeira vez - a seleção de Pelé.
Há 62 anos
Ele conquistou o mundo pela primeira das três vezes - o mundo de Pelé.
Errei: do
planeta que não é de Pele por Ele ser de outra galáxia. Com o devido respeito a
Três Corações, o Pelé dos 1000 gols é ET.
Todo mundo
tem história com Ele. Também por ninguém saber tabelar com a gente como Ele.
Ninguém atende tão bem as pessoas que não conhece quanto Edson conhecido por
todas elas. Todas ganham atenção e autógrafo, selfie e sorriso. Até nisso Pelé
é Pelé.
Eu adoraria dizer que não esqueço o único gol que vi Dele no
estádio, no Morumbi, no empate com o meu Palmeiras, em 1973. Mas eu não vi. Meu
pai tanto falou Dele que eu morri de medo e toda vez que a bola passava pelo
meio-campo eu fechava os olhos para não ver Pelé pelezar.
Por isso não
O vi marcando o gol naquele domingo. Um clássico numa tarde de sol: gol de
Pelé.
Como o
daquele dia de Maracanã contra o Fluminense, em 1961. Quando Ele driblou o
Tricolor inteiro para marcar mais um golaço. O que inspirou o editor Walter
Lacerda e o jornalista Joelmir Beting a criarem uma placa em homenagem à
obra-Pelé.
Uma placa que
em 1999 o próprio Pelé deu ao meu pai. Em retribuição do autor do Gol de Placa
ao autor da placa do gol.
O maior
prêmio que minha família recebeu.
Mas eu ainda
ganharia outro, por ser curador da exposição das Copas do Rei do Museu Pelé.
Onde uma vez levei meu filho para um evento que apresentei com o Rei. Ele
perguntou o nome do meu caçula e disse em seguida: "Gabriel, você tira uma
selfie comigo"?
Isto é Pelé.
Ou melhor. É o Edson que sabe o tamanho universal do Pelé. Um Beatle que lançou
o último disco em 1977. Um Fellini que dirigiu o último filme em 1977. Um
Michelangelo que pintou a última capela em 1977. Um Leonardo da Vinci que criou
a última obra em 1977.
O Pelé do futebol é o Pelé.
Não é 8 ou
80. É 10. É 80. É mais de mil gols. É tri.
É do Pelé.
Perdão por
falar de coisas pessoais. Mas com Ele é assim. Ele nos faz mais pessoal. Ele
nos faz acreditar mais nas pessoas. Saber separar o que o Édson erra como
humano e o que Pelé acertou como ser além disso e de tudo.
Tão Pelé que
até quando errou o gol do meio-campo em 1970, quando cabeceou a bola que Banks
fez uma defesa de Pelé no México, e quando não fez o golaço no drible da vaca
no goleiro uruguaio, Pelé foi mais que todos.
Até não fazer
gol é mais genial com Pelé. É mais Pelé que genial.
Pele é Rei na
democracia mundial do futebol. Mas é rei de real, não da nobreza, por fazer
reais os lances irreais. É rei não por não perder a majestade. É rei por fazer
simples as coisas complexas. É real a sua obra por levar o Brasil ao mundo e
nos trazer três vezes o mundo pra casa.
Pelé não
perde a majestade por ser simples. Por ser Pelé em cada trato mais do que
pessoal. Por não levar o trono no bolso como levou rivais na bola.
Pelé faz 80
assim celebrado por ser 10 em tudo lá dentro. O cidadão do mundo de outro planeta
faz tudo ficar maior do que é.
Ele nos deu o
sonho real. Ele nos deu o mundo.
A gente de
tanto falar Dele acha que pode chegar perto.
Afinal, quem
um dia não sonhou ser Pelé?
Eu não.
Porque nem Pelé em sonho supera o Rei real.
Edson Arantes
do Nascimento. Você tem o nome do gênio que inventou a lâmpada. Como o Thomas,
Edson não é o gênio da lâmpada. Mas ilumina com o mesmo mantra do inventor de
quase tudo: o gênio consiste em um por cento de inspiração e noventa e nove por
cento de transpiração.
Com mais tempo em casa durante a quarentena, tráfego na internet aumentou, bem como o número de reclamações — Foto: Claudio Schwarz/Unsplash
* * * Extraído do Portal G1 * * *
Especialistas
afirmam que rede é sólida, mas problemas podem ser encontrados para acessar
alguns serviços que estão com alta demanda ou para realizar tarefas do trabalho
em casa.
Por
Thiago Lavado, G1
11/06/2020 07h00 Atualizado há
uma hora
O uso da internet no Brasil cresceu durante a quarentena: o aumento foi
entre 40% e 50%, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), e a alta foi ainda maior para servidores internacionais.
Mas com o aumento do consumo também houve aumento de reclamações. As
instabilidades aumentaram e a própria Anatel registrou um número maior de
reclamações de usuários a partir da segunda quinzena de março — quando o
isolamento passou a ser a regra para muita gente. Alta semelhante foi sentida
no portal ReclameAqui, que agrega queixas de usuários na internet.
Em março, a Anatel registrou 67 mil reclamações relativas a banda larga,
com concentração a partir da segunda quinzena. Em abril, o volume passou de 74
mil e em maio o número foi semelhante, com mais de 73 mil queixas. No ano passado,
houve 50 mil reclamações em março, 48 mil em abril e 47 mil em maio.
O site ReclameAqui, que agrega queixas dos usuários, também viu o número
de publicações contendo o termo “internet” crescer: de 12 mil em março para
mais de 14 mil em abril.
Velocidade
de download caiu, e usuários sentiram
Dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC) mostram a
influência da pandemia de coronavírus na qualidade da internet no Brasil. Após
o primeiro caso da doença, em março, o Brasil registrou velocidade de download
abaixo da média e o tempo de resposta ficou acima da média — o que significa
que as solicitações aos servidores ficaram mais demoradas.
A situação tem se normalizado, segundo as medições do NIC, mas foi
sentida pelos usuários.
A advogada Clara Coutinho, por exemplo, teve que renovar a conexão de
seu apartamento em São Paulo durante a quarentena.
Precisando trabalhar de casa, o sinal não era bom no quarto que
transformou em escritório. “Eu passava a maior parte do meu tempo fora de casa.
Quando usava a internet aqui era para coisas simples ou streaming na própria
sala”, afirma.
Por causa disso, investiu: contratou um pacote com velocidade maior e
instalou uma rede de distribuição WiFi, para melhorar a qualidade da recepção
no novo escritório. “Com milhares de reuniões de vídeo com clientes, e sempre
minha internet caindo ou cortando, resolvi aumentar a velocidade”.
Durante a pandemia, quarto virou escritório e precisou de adaptação, com um novo ponto de WiFi e pacote com maior velocidade. — Foto: Clara Coutinho
A rede toda pode parar de funcionar?
Especialistas dizem que não existe
risco de colapso da rede no país e que a estrutura é sólida, e a própria Anatel
firmou uma parceria com as operadoras e prestadoras de serviço para manter a
conectividade durante a pandemia.
“As grandes prestadoras de telecomunicações providenciaram expansões de capacidade
em suas redes para absorver a alta de demanda de tráfego. Os pequenos
provedores e suas associações se empenharam em otimizar suas redes para esta
situação”, disse a Anatel em nota.
"Houve uma migração abrupta do tráfego de dados dos escritórios
para as casas das pessoas, o que pode ter provocado problemas pontuais, mas sem
causar instabilidade às redes, que continuam operando normalmente",
afirmou em nota o Sinditelebrasil, que representa as operadoras de telefonia e
provedores de internet no país.
Para especialistas ouvidos pelo G1, podem existir
vários culpados pelas reclamações dos usuários:
·Rede com pouca
banda ou equipamentos ruins;
·Serviços com
aumento da demanda e muitas pessoas utilizando;
·Diferença de
expectativa sobre a capacidade da rede doméstica com aumento do uso.
Serviço às
vezes não é ideal
Dados da última pesquisa TIC Domicílios, que afere como e
quantos brasileiros estão conectados à internet, mostraram mais uma queda no
uso de computadores domésticos: 42% dos usuários usaram um computador como meio
de acesso em 2019, uma queda ante o ano anterior. Em comparação, 99% dos
usuários se conectaram pelo celular.
De acordo com Milton Kaoru Kashiwakura, Diretor de Projetos Especiais e
de Desenvolvimento no NIC, o percentual de casas com desktop é baixo e as
pessoas, na maioria dos casos, passaram os últimos anos acessando a internet
nas residências apenas com celular. Agora, com a necessidade de novas
atividades por causa da pandemia, o impacto de redes domésticas menos potentes
pode estar sendo sentido.
“Algumas empresas estão deslocando equipamento das empresas para as
residências. Para quem estava acostumado a usar apenas dispositivo móvel e
agora está com notebook em casa, está enfrentando uma dificuldade maior”,
explica.
A situação piora em bairros afastados e nas regiões do Brasil mais
distantes dos grandes centros. Nesses lugares, há menor oferta de planos, menor
concorrência entre provedores e às vezes faltam conexões mais parrudas, como
por fibra ótica, o que pode explicar velocidades mais baixas e conexões mais
instáveis.
“Não há
justificativa para a falta de banda quando a última milha está bem resolvida.
Nos grandes centros isso tá bem resolvido, existe competição. Se não atender
bem, o usuário migra de provedor. Mas em grande parte do brasil só tem um
provedor e o usuário fica sem opção”, explica Kashiwakura.
Sites podem
ter sobrecarga
Os serviços on-line, sites e aplicativos, estão hospedados em algum
servidor, que recebe as demandas de acesso dos usuários da internet. Quando um
serviço recebe mais demanda do que tem capacidade de suportar, isso se traduz
em problemas da conexão, como redução de qualidade no caso de vídeos e áudios,
ou mesmo na queda do serviço. Alguns cyber-ataques até utilizam essa lógica
para derrubar sites, por exemplo.
Foi justamente para evitar sobrecargas que os principais provedores de
conteúdo do país, ainda no final de março, reduziram a qualidade do streaming
de vídeo, para evitar sobrecarga nos serviços — já que o
número de pessoas consumindo ao mesmo tempo aumentou.
“Alguns serviços
que estão planejados para ter uma certa capacidade de processamento
computacional podem ficar sobrecarregados”, explica Luiz Fernando Bittencourt,
professor do Instituto de Computação da Unicamp e membro do IEEE, instituto que
promove o avanço tecnológico.
Segundo ele, essa redução feita pelas empresas que fornecem conteúdo em
vídeo aconteceu porque houve um dimensionamento para atender à demanda.
“Evita que a capacidade do servidor seja sobrecarregada por muitos
usuários ao mesmo tempo”, disse Bittencourt.
Depois desse redimensionamento, o relatório do NIC apontou para taxas de
download e de tempo de resposta mais próximas do que é medido normalmente pelo
núcleo. A própria Anatel citou o caso como medida necessária para manter a
qualidade da internet.
"Serviços e plataformas online, antes explorados com menor
frequência, ganharam popularidade e força e, por consequência, tiveram que se
adaptar e ampliar a sua infraestrutura para atender à demanda", disse o
Sinditelebrasil.
A rede de
casa não é a rede do trabalho
A contratação de serviço de internet não é necessariamente a mesma em
casas e empresas.
Em grandes companhias, é comum a existência de uma rede interna e a
contratação de um serviço dedicado, que deve manter velocidade constante e um
padrão no fornecimento do serviço.
Já dentro de casa existem taxas mínimas de consumo, estabelecidas pela
Anatel. As operadoras devem fornecer pelo menos 40% da velocidade. No mês, a
média de velocidade não pode ser menor do que 80% do valor contratado.
Contratação do serviço residencial difere do que é feito em grandes empresas, e isso pode ser sentido pelo usuário — Foto: Mike Gieson/Freeimages.com
Para o designer Hugo Vinícius, que passou a ter problemas durante conferências
e reuniões em vídeo, esse foi um dos fatores que desmotivou a contratação de um
pacote melhor de internet.
Por causa da pandemia, ele foi para o interior de São Paulo e
pensou em aumentar a velocidade da conexão, mas abandonou a ideia.
"Desisti simplesmente porque tenho certeza que isso vai me gerar algum
problema no futuro, com cobrança indevida ou taxas abusivas".
Além da diferença no tipo de serviço contratado, redes
corporativas internas permitem o compartilhamento de conteúdo sem necessidade
de trafegar pela internet. Em casa, essa prerrogativa não existe: todos os
dados passam pela rede pública e competem com outros usuários da residência ou
do mesmo prédio, que também podem estar trabalhando ou estudando naquele
momento.
“Tem uma sensação de aumento de tráfego pelo trabalho em casa.
Diversos serviços que eram presenciais, passaram a ser remotos” afirma José
Eduardo de Freitas, diretor de conectividade, mídia e IP na CenturyLink,
empresa especializada tecnologia de telecomunicações.
De acordo com ele, a empresa viu o tráfego crescer mais de 60% nas
primeiras semanas de home office e muitas empresas começaram a contratar mais
banda e aprimorar suas estruturas de rede, para suportar o aumento no número de
conexões remotas.
“Algumas
empresas não tinham o conceito de home office e tiveram que criar uma estrutura
para isso”, afirma. “Esse prazo de adaptação afeta a percepção do usuário
[sobre a internet]”.
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