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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Anvisa aprova por unanimidade uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac


 

* * * Extraído do Portal G1 * * *

 

Instituto Butantan já havia obtido autorização para aplicação de 6 milhões de doses que chegaram prontas da China. Novo pedido aprovado se refere a doses envasadas no Brasil

 

Por Gustavo Garcia, Paloma Rodrigues e Luiz Felipe Barbiéri, G1 e TV Globo — Brasília

 

 

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta sexta-feira (22) por unanimidade o uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

 

O pedido foi feito pelo Butantan na segunda-feira (18). Um primeiro lote com 6 milhões de doses da CoronaVac já tinha sido liberado no último domingo (17) para aplicação emergencial.

Essa fração chegou pronta da China e começou a ser distribuída em todo o país pelo Ministério da Saúde nesta semana (saiba mais ao final desta reportagem).

 

O novo pedido de autorização é para o uso emergencial de todas as doses envasadas pelo Butantan.

 

As doses do primeiro lote foram integralmente fabricadas na China e enviadas ao Brasil em frascos já prontos para aplicação, com uma dose por recipiente.

Já as doses aprovadas nesta sexta pela Anvisa foram feitas com a matéria-prima enviada pela Sinovac ao Butantan, que finalizou a produção e envasou as 4,8 milhões de doses em frascos contendo dez doses cada um.

 

De acordo com a Anvisa, as dez doses devem ser aplicadas no prazo de oito horas após o recipiente ser aberto. A agência alerta para o fato de que, passadas oito horas da abertura do frasco, não é possível garantir a integridade e a pureza da vacina.

As doses em frascos fechados, que nunca foram abertos, têm, segundo a Anvisa, prazo de validade de 12 meses, de acordo com as primeiras análises.

 

Segundo a Anvisa, os frascos precisam ser armazenados em temperatura entre dois a oito graus, mas suportam, fora dessa temperatura, tempo suficiente para a aplicação nas pessoas.

 Apresentações técnicas

Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, fez uma apresentação técnica sobre o pedido do Instituto Butantan e, ao final, recomendou a aprovação para uso emergencial, frisando que há ausência de “alternativas terapêuticas” para o tratamento da Covid-19.

 

“Tendo em vista o cenário da pandemia, o aumento do número de casos, ausência de alternativas terapêuticas específicas para a Covid, recomendamos a aprovação dessa vacina nessas condições, mas com monitoramento das incertezas”, disse Gustavo Mendes.

 

Ele destacou que a armazenagem das doses em uma câmara fria deve ser feita em uma temperatura entre dois e oito graus. Segundo Mendes, armazenar os imunizantes nessas condições “preserva a vacina da melhor maneira".

 

O gerente-geral de Medicamentos disse ainda que, desta vez, o frasco da vacina é do tipo multidose, com dez doses. O primeiro pedido fez referência a frascos do tipo monodose, ou seja, contendo dose única.

 

A recomendação, segundo Gustavo Mendes, é de que as dez doses sejam utilizadas em um prazo de até oito horas após a abertura do frasco.

 

“Se essas dez doses não forem utilizadas em até oito horas, nós não conseguimos garantir a integridade e a pureza da vacina. Então, além de determinar esse prazo de até oito horas para que a vacina seja utilizada, a nossa preocupação é que as técnicas assépticas para manuseio estejam atentas para que não haja qualquer risco de contaminação desse frasco durante o uso”, afirmou.

 

O gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa, Fabrício Carneiro de Oliveira disse na apresentação técnica que, em mais de 5 mil unidades envasadas analisadas, não foi identificada nenhuma unidade contaminada após a incubação, o que “demonstra que os procedimentos estão adequados para permitir que não haja contaminação involuntária”.

“O parecer é que as informações prestadas demonstram o cumprimento das boas práticas e justificam o uso emergencial da vacina. Nos manifestamos pela aprovação de eventuais novos pedidos de uso emergencial nos moldes já apresentados neste momento, ou seja, vacinas importadas prontas bem como o granel formulado pela Sinovac com envase e acondicionamento pelo Butantan”, disse.

 

Votos

Após as apresentações técnicas, a relatora Meiruze Freitas votou pela aprovação do pedido de uso emergencial do segundo lote de vacinas CoronaVac.

“Entende-se que esses [dados e esclarecimentos] são suficientes para dar suporte a autorização para apresentação multidose da vacina e para o processo de envase no Instituto Butantan. Para a apresentação multidose, foi aprovado o prazo provisório de 12 meses”, disse.

 

Em outro momento do voto, Meiruze Freitas disse que, apesar de algumas incertezas ainda existentes pelo estágio em desenvolvimento da vacina, “os benefícios conhecidos e potenciais da vacina superam os riscos”.

 

“A vacina CoronaVac atende aos critérios necessários de qualidade, segurança e eficácia para o uso emergencial. Da mesma forma, como no estudo anterior, faço uma ressalva a um ponto crítico que requer abordagem complementar quanto ao estudo de imunogenicidade. Dessa forma, está mantido o compromisso pelo Butantan de que até 28 de fevereiro os estudos estejam apresentados para a Anvisa”, afirmou a relatora.

 

Meiruze Freitas lembrou que não há medicamentos registrados na Anvisa com indicação específica para o tratamento da Covid-19. Ela também ressaltou que “há poucos tratamentos de suporte disponíveis”.

“Mesmo em um cenário de incerteza, uma vacina contra a Covid-19 segura, capaz de prevenir e reduzir mortalidade e morbidade, pode ser autorizada para uso emergencial, em especial no contexto dessa pandemia”, disse.

 

Após o voto de Meiruze Freitas, os diretores Romison Mota, Alex Campos, Cristiane Jourdan e o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, também votaram pela aprovação do pedido de uso emergencial, acompanhando o voto da relatora.

 

“Não importa que críticas infundadas sejam construídas, não importa que críticas sejam feitas por pessoas que nunca conversaram conosco. O que se aprova no dia de hoje é uma modalidade de uso chamada de uso emergencial. Trata-se de um momento em que um balanço entre riscos e benefícios é considerado favorável”, disse Barra Torres ao se manifestar favoravelmente ao pedido do Butantan.

 Pressões e atraso

Na abertura da reunião, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres disse que não faz “nenhum sentido” atrelar o nome da Anvisa às palavras “burocracia” e “atraso”. Ele também afirmou que não “há sentido” em falar de pressões sobre a Anvisa.

 “Somos, sim, os recordistas em tempo de análise bem feita e com segurança para oferecer produtos confiáveis à população”, afirmou o diretor da agência.

“A pressão é uma só: temos que contribuir para assegurar a saúde dos nossos cidadãos”, acrescentou Barra Torres.

 Na sequência, a diretora Meiruze Freitas, relatora do pedido, disse que a Anvisa tem compromisso em avaliar as demandas com “celeridade”, mas “dentro dos critérios que resguardam a qualidade dos produtos que serão utilizados na nossa população”.

 Primeira autorização

primeira autorização da Anvisa para uso emergencial foi concedida por unanimidade no último domingo (17). A vacina CoronaVac e a da Universidade de Oxford tiveram o uso emergencial aprovado contra a Covid-19.

 A reunião que discutiu o tema durou cerca de cinco horas. Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos.

 No caso da CoronaVac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em "Diário Oficial".

 Ao proclamar o resultado, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou:

"A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine."

 Tags: Brasil, Brasileiros, COVID-19, CORONAVAC, Corona Vírus, G1, Mundo, Notícias, Vacina, Vacinação, São Paulo

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Governo de SP anuncia multa de R$ 500 para pessoas que ficam sem máscaras em áreas públicas a partir de 1º de julho


Movimentação de pessoas na Rua 25 de Março, região central de São Paulo, na manhã de sábado (20) — Foto: Bruno Rocha/Estadão Contrúdo

* * * Extraído do Portal G1 * * *

Fiscalização será feita pelas Vigilâncias Sanitárias municipais. Órgão também vai multar em R$ 5 mil estabelecimentos comerciais com pessoas sem máscaras.

Por Tatiana Santiago e Renata Bitar*, G1 SP — São Paulo
 

O governador João Doria (PSDB) anunciou na tarde desta segunda (29) que as pessoas que forem flagradas sem máscaras em áreas públicas serão multadas no valor de R$ 500 a partir de quarta-feira (1º). Neste caso, a fiscalização terá o apoio das prefeituras municipais.
"O governo do estado de São Paulo, com o apoio das prefeituras municipais, estabelece uma multa para pessoas físicas flagradas sem máscara em espaços públicos, a multa é de R$ 500", disse.

A pessoa física que desrespeitar a determinação terá que apresentar seus documentos para a emissão da multa. E, em caso de resistência, a PM poderá ser acionada. "A responsabilidade é da Vigilância Sanitária dos estados e dos municípios. Se houver necessidade, a vigilância poderá recorrer à Polícia Militar o Guarda Civil Municipal", declarou Doria.
Também será aplicada multa no valor de R$ 5 mil aos estabelecimentos comerciais que estiverem com pessoas sem máscaras. A fiscalização será feita pela Vigilância Sanitária. O estabelecimento deverá fornecer máscara para permitir a entrada dos clientes que não estiverem usando.

"Estabelecimentos comerciais, de qualquer tamanho, que a partir do dia 1º de julho no estado de São Paulo forem flagrados pela Vigilância Sanitária com a presença de pessoas sem a utilização de máscaras serão multados em R$ 5 mil por pessoa e por vez. Se tiverem dez pessoas, serão dez multas sucessivas, se tiverem 20 pessoas serão 20 multas sucessivas", afirmou o governador.

De acordo com ele, o valor integral arrecadado com as multas aplicadas será destinado ao programa Alimento Solidário, para a aquisição das cestas e distribuição às pessoas em estado de pobreza e extrema pobreza.
No início de maio, o governo do estado já tinha publicado um decreto que determinava o uso geral e obrigatório de máscaras nas 645 cidades paulistas por tempo indeterminado para o combate à pandemia do coronavírus. Segundo o decreto, os infratores poderiam receber multa de R$ 276 a R$ 276 mil, ou até ser punido com pena de um a quatro anos de detenção. No entanto, no período, nenhum estabelecimento foi multado. Desde então, os locais receberam apenas orientações.

Na capital paulista, 97% da população utiliza máscaras durante a pandemia do coronavírus e, no estado, 93% da população, segundo Doria.

A diretora técnica Christina Megid, da Vigilância Sanitária estadual, disse que foram feitas 18 mil fiscalizações para orientar os estabelecimentos comerciais e a população também pode denunciar o descumprimento da determinação do uso das máscaras. "Quando observar que exista algum estabelecimento, algum lugar que não esteja cumprindo, nós temos um canal de denúncia, que é o 08007713541, gostaríamos que quem observar o descumprimento de qualquer legislação de proteção à saúde neste momento fizesse a denúncia. Que a população fosse também um grande fiscal aliado também ao estado", orientou ela.

No entanto, Christina Megid afirmou que a Vigilância Sanitária continua orientando os estabelecimentos. “A gente já visitou inúmeros estabelecimentos, se você volta e continua não cumprindo a legislação, com certeza será penalizado. Em relação aos restaurantes, acho que nós temos que ter bom senso, pois no momento de comer ele vai ter que retirar.”


Covid-19
O estado de São Paulo registrou 3.408 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 275.145 pessoas infectadas, segundo anunciou a Secretaria Estadual da Saúde nesta segunda (29).

Já o número de mortes causadas pelo novo coronavírus chegou a 14.398, aumento de 60 óbitos.
As novas confirmações informadas não significam, necessariamente, que as mortes e casos aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema neste período. Os números costumam ser menores no final de semana e às segundas-feiras, devido ao atraso nas notificações nestes dias.

O recorde de casos no estado ocorreu na última sexta-feira (26) com 9.921 confirmações. Foi o terceiro dia consecutivo que os casos registrados nas últimas 24 horas bateram recorde.
Nesta segunda, o número de pacientes internados caiu para 13.033, sendo 5.336 em UTI e 7.697 em enfermaria. No domingo, eram 14.113, sendo 8.387 em enfermaria e 5.726 em leitos de UTI.

Já a taxa de ocupação de leitos de UTI destinados para pacientes com Covid-19 caiu para 65% no estado e para 66,6% na Grande São Paulo. No domingo, as taxas eram de 67,2% na Grande São Paulo e 65,3% no estado.
*Supervisão Tatiana Santiago.

Tags: COVID-19, G1, Governo, Multa, Notícias, Saúde

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Com maior uso da internet durante pandemia, número de reclamações aumenta; especialistas apontam problemas mais comuns

Com mais tempo em casa durante a quarentena, tráfego na internet aumentou, bem como o número de reclamações — Foto: Claudio Schwarz/Unsplash

* * * Extraído do Portal G1 * * *

Especialistas afirmam que rede é sólida, mas problemas podem ser encontrados para acessar alguns serviços que estão com alta demanda ou para realizar tarefas do trabalho em casa.

Por Thiago Lavado, G1
 



O uso da internet no Brasil cresceu durante a quarentena: o aumento foi entre 40% e 50%, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e a alta foi ainda maior para servidores internacionais.

Mas com o aumento do consumo também houve aumento de reclamações. As instabilidades aumentaram e a própria Anatel registrou um número maior de reclamações de usuários a partir da segunda quinzena de março — quando o isolamento passou a ser a regra para muita gente. Alta semelhante foi sentida no portal ReclameAqui, que agrega queixas de usuários na internet.


Em março, a Anatel registrou 67 mil reclamações relativas a banda larga, com concentração a partir da segunda quinzena. Em abril, o volume passou de 74 mil e em maio o número foi semelhante, com mais de 73 mil queixas. No ano passado, houve 50 mil reclamações em março, 48 mil em abril e 47 mil em maio.

O site ReclameAqui, que agrega queixas dos usuários, também viu o número de publicações contendo o termo “internet” crescer: de 12 mil em março para mais de 14 mil em abril.

Velocidade de download caiu, e usuários sentiram

Dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC) mostram a influência da pandemia de coronavírus na qualidade da internet no Brasil. Após o primeiro caso da doença, em março, o Brasil registrou velocidade de download abaixo da média e o tempo de resposta ficou acima da média — o que significa que as solicitações aos servidores ficaram mais demoradas.

A situação tem se normalizado, segundo as medições do NIC, mas foi sentida pelos usuários.
A advogada Clara Coutinho, por exemplo, teve que renovar a conexão de seu apartamento em São Paulo durante a quarentena.

Precisando trabalhar de casa, o sinal não era bom no quarto que transformou em escritório. “Eu passava a maior parte do meu tempo fora de casa. Quando usava a internet aqui era para coisas simples ou streaming na própria sala”, afirma.

Por causa disso, investiu: contratou um pacote com velocidade maior e instalou uma rede de distribuição WiFi, para melhorar a qualidade da recepção no novo escritório. “Com milhares de reuniões de vídeo com clientes, e sempre minha internet caindo ou cortando, resolvi aumentar a velocidade”.

Durante a pandemia, quarto virou escritório e precisou de adaptação, com um novo ponto de WiFi e pacote com maior velocidade. — Foto: Clara Coutinho


A rede toda pode parar de funcionar?

 

Especialistas dizem que não existe risco de colapso da rede no país e que a estrutura é sólida, e a própria Anatel firmou uma parceria com as operadoras e prestadoras de serviço para manter a conectividade durante a pandemia.

“As grandes prestadoras de telecomunicações providenciaram expansões de capacidade em suas redes para absorver a alta de demanda de tráfego. Os pequenos provedores e suas associações se empenharam em otimizar suas redes para esta situação”, disse a Anatel em nota.

Mas as mudanças causadas pelo isolamento — mais gente trabalhando em casa e maior uso da internet durante o tempo livre — mudaram o padrão de consumo no Brasil e, também, como muitos usuários percebem o acesso à rede.

"Houve uma migração abrupta do tráfego de dados dos escritórios para as casas das pessoas, o que pode ter provocado problemas pontuais, mas sem causar instabilidade às redes, que continuam operando normalmente", afirmou em nota o Sinditelebrasil, que representa as operadoras de telefonia e provedores de internet no país.
Para especialistas ouvidos pelo G1, podem existir vários culpados pelas reclamações dos usuários:

·         Rede com pouca banda ou equipamentos ruins;
·         Serviços com aumento da demanda e muitas pessoas utilizando;
·         Diferença de expectativa sobre a capacidade da rede doméstica com aumento do uso.

Serviço às vezes não é ideal

Dados da última pesquisa TIC Domicílios, que afere como e quantos brasileiros estão conectados à internet, mostraram mais uma queda no uso de computadores domésticos: 42% dos usuários usaram um computador como meio de acesso em 2019, uma queda ante o ano anterior. Em comparação, 99% dos usuários se conectaram pelo celular.

De acordo com Milton Kaoru Kashiwakura, Diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento no NIC, o percentual de casas com desktop é baixo e as pessoas, na maioria dos casos, passaram os últimos anos acessando a internet nas residências apenas com celular. Agora, com a necessidade de novas atividades por causa da pandemia, o impacto de redes domésticas menos potentes pode estar sendo sentido.

“Algumas empresas estão deslocando equipamento das empresas para as residências. Para quem estava acostumado a usar apenas dispositivo móvel e agora está com notebook em casa, está enfrentando uma dificuldade maior”, explica.

A situação piora em bairros afastados e nas regiões do Brasil mais distantes dos grandes centros. Nesses lugares, há menor oferta de planos, menor concorrência entre provedores e às vezes faltam conexões mais parrudas, como por fibra ótica, o que pode explicar velocidades mais baixas e conexões mais instáveis.

“Não há justificativa para a falta de banda quando a última milha está bem resolvida. Nos grandes centros isso tá bem resolvido, existe competição. Se não atender bem, o usuário migra de provedor. Mas em grande parte do brasil só tem um provedor e o usuário fica sem opção”, explica Kashiwakura.
Sites podem ter sobrecarga

Os serviços on-line, sites e aplicativos, estão hospedados em algum servidor, que recebe as demandas de acesso dos usuários da internet. Quando um serviço recebe mais demanda do que tem capacidade de suportar, isso se traduz em problemas da conexão, como redução de qualidade no caso de vídeos e áudios, ou mesmo na queda do serviço. Alguns cyber-ataques até utilizam essa lógica para derrubar sites, por exemplo.

Foi justamente para evitar sobrecargas que os principais provedores de conteúdo do país, ainda no final de março, reduziram a qualidade do streaming de vídeo, para evitar sobrecarga nos serviços — já que o número de pessoas consumindo ao mesmo tempo aumentou.

“Alguns serviços que estão planejados para ter uma certa capacidade de processamento computacional podem ficar sobrecarregados”, explica Luiz Fernando Bittencourt, professor do Instituto de Computação da Unicamp e membro do IEEE, instituto que promove o avanço tecnológico.

Segundo ele, essa redução feita pelas empresas que fornecem conteúdo em vídeo aconteceu porque houve um dimensionamento para atender à demanda.

“Evita que a capacidade do servidor seja sobrecarregada por muitos usuários ao mesmo tempo”, disse Bittencourt.

Depois desse redimensionamento, o relatório do NIC apontou para taxas de download e de tempo de resposta mais próximas do que é medido normalmente pelo núcleo. A própria Anatel citou o caso como medida necessária para manter a qualidade da internet.

"Serviços e plataformas online, antes explorados com menor frequência, ganharam popularidade e força e, por consequência, tiveram que se adaptar e ampliar a sua infraestrutura para atender à demanda", disse o Sinditelebrasil.

A rede de casa não é a rede do trabalho

A contratação de serviço de internet não é necessariamente a mesma em casas e empresas.
Em grandes companhias, é comum a existência de uma rede interna e a contratação de um serviço dedicado, que deve manter velocidade constante e um padrão no fornecimento do serviço.

Já dentro de casa existem taxas mínimas de consumo, estabelecidas pela Anatel. As operadoras devem fornecer pelo menos 40% da velocidade. No mês, a média de velocidade não pode ser menor do que 80% do valor contratado.


Contratação do serviço residencial difere do que é feito em grandes empresas, e isso pode ser sentido pelo usuário — Foto: Mike Gieson/Freeimages.com


Para o designer Hugo Vinícius, que passou a ter problemas durante conferências e reuniões em vídeo, esse foi um dos fatores que desmotivou a contratação de um pacote melhor de internet.
Por causa da pandemia, ele foi para o interior de São Paulo e pensou em aumentar a velocidade da conexão, mas abandonou a ideia. "Desisti simplesmente porque tenho certeza que isso vai me gerar algum problema no futuro, com cobrança indevida ou taxas abusivas".

Além da diferença no tipo de serviço contratado, redes corporativas internas permitem o compartilhamento de conteúdo sem necessidade de trafegar pela internet. Em casa, essa prerrogativa não existe: todos os dados passam pela rede pública e competem com outros usuários da residência ou do mesmo prédio, que também podem estar trabalhando ou estudando naquele momento.

“Tem uma sensação de aumento de tráfego pelo trabalho em casa. Diversos serviços que eram presenciais, passaram a ser remotos” afirma José Eduardo de Freitas, diretor de conectividade, mídia e IP na CenturyLink, empresa especializada tecnologia de telecomunicações.

De acordo com ele, a empresa viu o tráfego crescer mais de 60% nas primeiras semanas de home office e muitas empresas começaram a contratar mais banda e aprimorar suas estruturas de rede, para suportar o aumento no número de conexões remotas.

“Algumas empresas não tinham o conceito de home office e tiveram que criar uma estrutura para isso”, afirma. “Esse prazo de adaptação afeta a percepção do usuário [sobre a internet]”.